<eugenia1><chave> mein kampf 2/maio/1994
SÚMULA ECOLÓGICA
NO MUNDO DOS FANTASMAS
CARTA A DOIS SOCIÓLOGOS
Lisboa, 2 de Maio de 1994 - «Essa ecologia de que somos Cobaia» - diz o título de um panfleto da «Frente Ecológica», em óbvia desmistificação e desmitificação da ecologia enquanto ciência. Mas podíamos parafrasear e dizer «Essa Sociologia de que somos Cobaia». Não impede, num caso e noutro, de continuar a ter a maior ternura por ecólogos e sociólogos. Mas sempre com cada um no seu lugar: eu, portanto, no lugar de Cobaia que me compete, relativamente a ecólogos e sociólogos. Com todo o amor que uma espécie em vias de extinção pode votar a quem ainda a ache digna de observação, análise e laboratório.
2 - Ora aí está: é como uma rã estendida na mesa do laboratório que eu me sinto quando sou alvo das atenções de um sociólogo.
Não fico ofendido e não quero com isto ofender. Apenas reconhecer o facto. Mas nos factos e nas ideias reside um pouco a questão do relacionamento possível entre o sociólogo e a sua matéria de observação, a sua Cobaia. É que, para o bem e para o mal, o meu percurso foi muito menos fazer do que pensar, muito mais ser do que do ter. E o que interessa a um sociólogo são factos, não são as ideias que se aninham num qualquer crânio, não são as variáveis mas as constantes, não são os casos particulares e individuais mas os colectivos e os gerais. Receio que haja pouca matéria sociológica na «Frente Ecológica» e suas vicissitudes. Foi tudo o romance numa cabeça, eventualmente a minha, outras vezes a de Ivan Illich e Michel Bosquet, com todos os equívocos daí decorrentes, relativamente ao meio ambiente, com o qual, natural e ecologicamente, andei em polémica desde os já recuados anos 60.
3 - Na melhor das hipóteses e como interface entre os factos e as ideias, o sociólogo poderá estar interessado em historiar as polémicas com o Meio Ambiente. É nesse sentido que talvez eu lhe possa ser útil e ao vosso trabalho. É nesse sentido que estou mobilizando a papelada, triando, rasgando, anotando, rearrumando. E pela derradeira vez, espero, porque é já muito tempo de uma curta-longa vida gasto com estas tricas da ecologia e da sobrevivência planetária. Se temos o que merecemos, o que fabricamos, o que produzimos, o que desenvolvemos, porque raio hão-de andar aqui uns sujeitos a fazer de bombeiros a apagar os fogos que os outros vão ateando? Desde logo, é esta a polémica: porquê resistir, se a lógica da destruição é imparável e não vai desistir um milímetro?
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8 - Concordo que sem memória é impossível viver nesta terra: e esta geração foi espoliada, principalmente, da memória que interessava, e também aí lhe deram gato por lebre. O discurso democrático do 25 de Abril é bem exemplo dessa fraude.
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10 - As ideias, neste processo das frentes ecológicas, são. regra geral, mais relevantes do que os factos; tenho a noção vaga de que a militância ecológica, pela parte que me toca, foi sempre, além de um pesadelo dentro do pesadelo, foi sempre mais virtual do que real. Um mundo de fantasmas, em suma.
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«FRENTE ECOLÓGICA»: PROJECTOS E MAIS PROJECTOS
Algumas datas relevantes em que foram redigidos alguns dos projectos idealizados (e quase nunca realizados) pela «Frente Ecológica»:
Planos de Acção apresentados pela «Frente Ecológica» (selecção de textos manuscritos inéditos por ordem de datas em que foram dactilografados):
1976
1978
1979
1980
1981
1982
1983
6/5/83-> Para uma Campanha Nacional Contra o Desperdício de Valores e Recursos
7/6/83-> Os Travestis da Ecologia - Comunicação da «FE», dia 7 de Junho de 1983, na Escola Secundária de Olivais (Chelas)
Julho/83 -> Somos Contra o Nuclear porque somos pela Vida (projecto de manifesto)
30/12/83 -> Carta da «FE» à classe dirigente : Quem salva do Bolor meio milhão de dados?
1985
1987
Documentos publicados: