<acc-1> a conspiração cósmica - mein kampf 97

 

A CONSPIRAÇÃO CÓSMICA

16/Março/1997 - A consciência de que sem Alquimia não existe Magia, nem Astrosofia, nem Aritmosofia, nem Geometria Sagrada, nem Kabballah, nem Teurgia, nem nenhuma outra das 12 ciências sagradas, parece começar a emergir entre nós, depois de muitos anos em que toda a ênfase foi dada a coisas como a chamada Astrologia e a chamada Magia (negra, branca, às cores...).

Embora balbuciante e hesitante, essa consciência alquímica da Alquimia como ciência base da pirâmide da sabedoria, revela-se em manifestações e actividades que, no meio da balbúrdia e da confusão instaladas, nomeadamente nos meios de difusão pública, se vão triando como sinais verdadeiros da Nova e esplêndida Era do Aquário.

Há sinais de que os estudos herméticos - centro da «cebola sagrada» - começam a preocupar, finalmente, os que se movimentam ou dizem movimentar-se na área unificada (a que agora também se vai chamando área quântica para dar um toque de modernidade...) dos chamados esoterismos e das alegadas «ciências ocultas.»

O deboche a nível mediático, principalmente o que surge em publicações fasciculadas e em vídeos de origem madrilena, é visível a qualquer observador, mesmo desatento.

Sobre a qualidade e natureza dos estudos herméticos que, mais discretos, têm surgido, outros poderão falar e discutir. Ao noticiar o facto, na revista «Beija-Flor», apenas queremos noticiar o facto. Sem comentários nem críticas.

Para o bem a para mal, há cinco itens que no nosso entender merecem registo e destaque:

a) O livro de José Manuel Anes «Re-Criações Herméticas», de uma nova editora , a Hugin, que supomos de inspiração maçónica. O livro, aliás, para lá do valor intrínseco que possa ter ou não, possui o valor nobiliárquico que os imensos títulos honoríficos e cargos do autor lhe conferem;

b) O livro de Victor Mendanha, «Diálogos Filosóficos e Alquímicos», contributo jornalístico ao esclarecimento de algumas posições de «portugueses notáveis» (edição Pergaminho);

c) Um livro que já não é recente mas que só agora chegou ao nosso conhecimento «The Philosopher's Stone», de Michio Kushi e Edward Esko. Neste volume admirável, até pela concisão e discreto número de páginas, se compendiam as intuições (como sempre fulgurantes e como sempre geniais) de Michio Kushi sobre o fundo alquímico do taoísmo e da dialéctica yin-yang.

Já em 1982, Francisco Varatojo, nosso guru da macrobiótica, publicara no então ainda Instituto Kushi, um estudo interessantíssimo de Michio, entretanto e infelizmente abandonado pelo movimento macrobiótico português (referimo-nos ao estudo e ao próprio Michio). Pelos vistos, ainda não eram chegados os tempos de a Alquimia e o paradigma hermético se imporem ao colectivo nacional e universal...

d) A discreta reaparição, com um seminário ministrado por Vítor Quelhas, sobre técnicas respiratórias, de um grupo de estudos herméticos, mais discreto do que secreto, onde sabemos pontificarem pessoas de qualidade e das quais conhecemos 3 nomes que são garantia dessa qualidade: Vítor Quelhas, José Guardado Moreira e Carlos Pessoa. Curiosamente, três jornalistas, o que significa, talvez, que algo de novo e diferente pretende animar os degradados órgãos mediáticos, entregues totalmente à bicharada, ou seja, às delícias do Virtual, da Internet e da ganhuça abjecta.

O referido Círculo de Hermes, assim se designa, constitui o núcleo promotor da Associação Hermes e foi fundado por estudantes do Hermetismo em 1992, em Lisboa. Nos folhetos de divulgação, aparece também nomeada uma Hermes Research Society, de que não se explica o como, o quê, o quem e o porquê.

e) Um projecto designado «Biblioteca de Alexandria para o Ano 2000», ligado a uma cooperativa de Ensino Superior para a criação, até ao ano 2000, de uma escola de ciências ditas esotéricas. O grupo promotor desta iniciativa tem a sede em Paço de Arcos e prepara algumas actividades de lançamento do projecto. Que bem necessário se apresenta,  face à grande confusão de narizes que é hoje a área da prática e das ciências diferentes.

Qualquer destas 5 iniciativas tem, como objectivo último, restabelecer a lei ou ordem universal no meio da mais completa balda a que, nestes domínios, se assiste hoje no doce país português.

País onde tudo, à conta do nosso cantado ecumenismo, desagua, como se fôssemos eternamente os caixotes do lixo e os alvos predilectos de uma conspiração cósmica. Ou seja, tal como somos, a nível de detritos (venenosos e perigosos) da sociedade de consumo, a lixeira da Europa, também a nível de detritos ou lixos que restam da antiga era dos Peixes, seríamos nós os encarregados de receber toda essa ignomínia.

A revista «Beija«Flor» vai estar atenta e, procurando separar o trigo do joio, informar as pessoas em geral e os adeptos da Nova Idade de Ouro em particular, o que é afinal e o que não é, o que anda a fingir que anda mas não anda, o que anda a dizer que é em nome do santo espírito mas é apenas o último estertor de um materialismo milenar que teima em prevalecer.

O facto é que a polémica está instalada, queiram ou não os intervenientes.

Se a alquimia tem de ser primeiro alquimizada ou se dela se pode falar de cór com'ó papagaio;

Se alquimia é, congenitamente, uma ciência secreta - ou se é «exoterizável»;

Se existe uma, duas, três, quatro ou mais alquimias;

De que alquimia se fala quando se fala de alquimia (e cada vez se fala mais);

De que Hermes se fala quando se fala de hermetismo.

Os mais argutos percebem que revertem assim à origem da polémica, cujos termos dicotómicos se expressam, em sinais visíveis, no binário sagrado/ profano.

A polémica do grande Manu e seus impostores volta às primeiras páginas da actualidade!

Que a confusão é grande no reino da Dinamarca , todos, incluindo o Hamlet, parecem admiti-lo, excepto os que beneficiam comercialmente dessa confusão.

Que se passam factos gravíssimos a nível de manipulação de energias (com as suas componentes de vampirismo, parasitagem e egrégora) parece também não escapar aos mais atentos.

Mas sobre esse surto viral de regressões, as opiniões dividem-se em 3 grandes grupos:

Que os órgãos mediáticos chamem Magia , uma das 12 ciências sagradas, às ilusões domingueiras do entertainer Luís de Matos, que a Astrosofia, com o nome de Astrologia, seja, nesses meios, uma reedição dos programas de exibição do jet-set, que, enfim, as 12 ciências sagradas estejam reduzidas a exibicionismos comerciais, tanto pode inquietar como deixar indiferentes os que, não alinhando na abjecção e no negócio, decidem voltar costas ou enfrentar de frente o animal.

Mas, no mínimo, convinha que inquietassem. Pois, mesmo os que não sabem, estão implicados no processo e nele tomam automaticamente posição.

Pensem nisso e até à próxima. - Bento Fernandes