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18-11-1996

SUBLINHADOS EM PAPUS (*)

O PRINCÍPIO HOLOGRÁFICO DA SABEDORIA

«Aquele que não matou em si mesmo o desejo do ouro não será nunca rico, alquimicamente falando.»

Papus

Lisboa, 17/11/1996 - Como as 12 ciências do Espírito se encaixam umas nas outras , à maneira das caixas chinesas, ou das bonecas russas ditas matrioskas, é uma das questões filosóficas mais árduas com que se enfrenta a Noologia.

Toda a formação e conformação mental operada pelas ciências do profano (pela hiperanálise da ciência ordinária ) vai no sentido de separar (dividir) e não de holisticamente integrar.

A démarche holística é das mais problemáticas hoje em dia e vai registando fracassos após fracassos.

O regresso aos clássicos da Noologia, como Papus, apesar de tudo e apesar dos muitos equívocos que têm sido difundidos, ainda nos pode ajudar neste puzzle impenetrável de termos e de conceitos/preconceitos.

A integração de 7 (pelo menos) das 12 ciências sagradas (ciências superiores como ele lhes chama) -

- dada por Papus na sua obra (*), entre as páginas 55-78 , presta-nos um bom serviço de simplificação.

Como repetidamente diz a Noologia, a maior parte das explicações que encontramos em livros e autores ditos esotéricos ou ocultistas, complicam muito mais do que explicam.

Apesar das demasiadas longas citações que faz de Alveydre e de Olivet - que tanto pecaram também pelo discursivismo - com o objectivo erudito de tornar o livro mesmo grosso e digno de se chamar «tratado» - podemos apurar referências claras para a clarificação de tão complexo problema: como se articulam (algumas d´) as ciências sagradas entre si.

Algumas alíneas não são esquecidas por Papus e não devem ser esquecidas pelo estudioso da Noologia:

a) Lei da analogia - «Tudo é análogo - escreve Papus - a lei que rege os mundos rege a vida do insecto.» (pg. 56). Ou: «Estudar a maneira como as células se agrupam para formar um órgão , é estudar a maneira como os reinos da Natureza se agrupam para formar a Terra, este órgão do nosso mundo, é estudar a maneira como os indivíduos se agrupam para constituir uma família , este órgão da Humanidade .» (pgs 56-57).

Mais duas subalíneas se podem, a propósito, sublinhar :

aa) A noção moderna de Holos (ver dicionário de ciência) vem na linha do que os artigos chamam lei da analogia

aaa) Entre Homologia e Analogia há uma subtil diferenciação, que só a prática nos ajudará a detectar

b) Pitágoras ajuda Papus nesta ronda pelos «holos» do universo humano: «A fim de que elevando-te no éter radioso , tu mesmo sejas um Deus no seio dos imortais» teria dito (escrito) Pitágoras segundo Papus.

De qualquer maneira é uma bela metáfora e do que não nos podemos queixar é da falta de metáforas , quer dizer, de abundante literatura nos textos que alegadamente tratam de ciências ditas esotéricas .

É uma bela frase, essa de Pitágoras, e faz muito sentido , levando-nos a novas subalíneas:

bb) Pitágoras aprendeu com Hermes e, portanto, está próximo da fonte

bbb) Pitágoras, pela sua simples presença, remete-nos para a ciência sagrada dos Números - outra das 12 - e dos Números para outra ciência : a Geometria Sagrada

bbbb) Papus já, no seu tempo, ia até à célula como unidade do microcosmo, o que é uma antecipação notável e mesmo genial

c) De acordo com o legado pitagórico , que vem do legado egípcio, que vem do legado atlante, que vem do legado lemuriano, Papus descreve os diversos níveis de organização dos seres vivos, desde a amiba ao Cosmos (pode consultar-se o quadro que , a este propósito, Etienne Guillé apresenta no seu livro «Le Langage Vibratoire de La Vie», Ed du Rocher, Paris, 1990)

d) De sublinhar o que Papus lembra da tradição: Osíris - Ísis - Hórus - santíssima trindade egípcia: «O sacerdote egípcio posterna-se e adora Deus nele, Deus no mundo, Deus no Universo, Deus em Deus» (pg.60) . Ninguém saberia definir melhor o princípio holográfico que preside, como um eixo, à estruturação da Noologia.

e) O diático que leva ao triádico (à triunidade, uma das 12 ciências sagradas segundo Patrice Kerviel)) expressa-se nestes termos:

Aos que estudam Noologia taoísta, basta recordar o yin-yang para integrar este esquema de Papus.

e) À luz desta triunidade, Papus sublinha as 3 leis do movimento:

f) Na sequência da triunidade anteriormente evidenciada, Movimento sugere de imediato a Papus um novo salto qualitativo para a Alquimia, outra das 12 ciências sagradas:

«A vida progride através do vegetal» afirma Papus, deixando implícita, entre muitas outras informações, a importância da Hispagíria de Paracelso, como porta de acesso às 4 Alquimias.

g) Admirável e muito subtil uma equivalência que nos dá na página 68: « Os seres , sejam quais forem, são formados em última análise de 3 partes constituintes:

Para o estudante de Noologia , esta Vida = Espírito é a sopa no mel, é a confirmação da via certa. Assim como esta nota de rodapé , breve mas altamente significativa :

«Sendo diversos autores que tratam da alma é preciso estar atento ao sentido que eles atribuem a esta palavra. Uns chamam alma ao que eu chamo aqui de Vida/Espírito - diz Papus - e Espírito ao terceiro termo a que chamo Alma.

A ideia é a mesma , por toda a parte, só o emprego dos termos varia.»

h) Descendo das abstracções , é o momento de Papus nos pôr na rota da grande ROTA, ou seja da Kaballah com o quadro /diagrama que, como ele diz, «nos permite ver o sistema no seu conjunto». .

Ora esse esquema ou quadro é a árvore sefirótica simplificada, ou seja, apenas com referências mínimas e sem os conteúdos psicologístico-literários com que regra geral nos surge nas adaptações modernas.

Nos comentários à árvore sefirótica , Papus sublinha:

1 - «O ensino do templo reduzia-se unicamente ao estudo da força universal nas suas diversas manifestações» ( Obrigado Papus: acabaste de dar uma boa definição de Noologia).

2 - Falando do «aspirante à iniciação» diz Papus que ele estudava no templo, os vários mundos dentro deste mundo (esquema holográfico perfeito), as várias esferas dentro da grande esfera: « Era então que ele penetrava no estudo da Natureza Naturante aprendendo as leis da vida (...), o conhecimento da vida dos mundos e dos universos dava-lhe as chaves da Astrologia, o conhecimento da vida terrestre a chave da Alquimia.»

Sublinhe-se

Mas a Kaballah das sefirotes é, segundo Patrice Kerviel, outra dessas 12 ciências sagradas.

Ainda Papus:

«Poucos atingiam a prática e o conhecimento das ciências superiores - que conferiam poderes quase divinos . Entre estas ciências que tratavam da essência divina e da sua aplicação na Natureza pela sua aliança com o homem, encontravam-se ( 4 ciências sagradas!) :

- a Teurgia

- a Magia

- a Terapêutica sagrada (Hispagíria)

- A Alquimia

Assim vê Papus a iniciação e o aspirante à iniciação. Citando Saint-Yves d'Alveydre, socorre-se da palavra YHWH , sob a corruptela IEVE , dizendo:« A primeira letra de IEVE correspondia a uma outra hierarquia de conhecimentos , marcado pelo número 10».

Lembre-se:

a) 10 é o número da árvore sefirótica

b) A leitura teosófica de 10 é 1, um segundo 1 de ordem qualitativa diferente do primeiro 1

c) A letra de outra «hierarquia de conhecimentos» (Y e não I), citada por Papus, corresponde na grelha das letras de Etienne Guillé ao mundo que este designa de transcendente no quadro dos 3 mundos da grelha das letras:

Como contributo valioso na sistematização das 12 ciências sagradas - unidas pelo princípio holográfico universal - , Papus, apoiado na Kaballah e no seu comentarista Saint-Yves d'Alveidre, dá um quadro de como o ensino da ciência antiga se resumia aos 4 graus seguintes:

1 º- Estudo da força universal nas suas manifestações vitais

2 º - Estudo dessas forças nas suas manifestações humanas

3 º- Estudo desta força nas suas manifestações astrais

4º - Estudo desta força na sua essência e prática dos princípios descobertos -> ciências teogónicas»

Eis dado por Papus o que é um dos quadros de síntese da totalidade mais prodigiosos que conhecemos.

A distribuição parece-nos pelo menos lógica, tanto mais que se em cada um destes 4 grandes grupos de ciências (no plural) considerarmos 3 singulares , obtemos as 12 (4x3) ciências sagradas em que fala Patrice Kerviel.

II

As 12 ciências sagradas não só se integram desta forma holográfica , como caixas chinesas, mas nelas também prática e teoria são indissociáveis. E nelas - como genialmente descobriu Einstein - observador e observado coincidem.

Quer dizer, todas as 12 ciências sagradas dependem intrìnsecamente de todas, a partir da prática alquímica.

Axioma de Ouro para conclusão:

Sem alquimizar (metabolizar) a informação, o conhecimento nunca se transmudará/transmutará em sabedoria.

E sem sabedoria não existe ciência do sagrado, nem iniciação.

O que só vem, evidentemente, tornar mais complexa a complexa palavra iniciação.

Quando se diz que não há conhecimento sem iniciação, equivale a dizer que não há conhecimento sem alquimia - sem alquimização do conhecimento, sem alquimização de todas as informações.

O conhecimento, para valer como sabedoria, tem que ser alquimizado.

Por isso a Alquimia é a base das doze ciências sagradas e todas elas têm de passar por ela.

Os 9 números nascem de 1 como as ciências sagradas nascem da Alquimia, que é , ao mesmo tempo, 1 e todos os números, (d) o Todo.

Com a ajuda de Papus podemos dizer que do Ponto nascem todas as figuras geométricas - que são, ao mesmo tempo, o Ponto e N pontos .

III

Mais uma vez a Kaballah parece constituir o grande carrefour onde várias ciências sagradas convergem e de onde irradiam.

Se Kaballah for tomada como a «ciência sagrada» por antonomásia, talvez não seja exagero.

Como diz Papus, a Kaballah é fundada no mesmo princípio : «todas as letras nascem de uma só, o iod, da qual exprimem todos os aspectos como a Natureza exprime os diversos aspectos do Criador» (definição de Holograma)

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«Traité Élémentaire de Science Occulte», Papus, Ed. Dangles, Paris, s/d☺☺☺