<satillar-0-yy-ls> - editar on line – leituras selectas – bionergética yin-yang
O CASO SATILLARO
EM 3 TEMPOS (1988 E 1992)
INÉDITOS E PUBLICADOS
DE AFONSO CAUTELA
<satillar-1>
«Ninguém está inocente das doenças que tem» (A.C.).
A DIFICULDADE DA FACILIDADE
9-7-1992 - Após 8 seminários de Michio Kishi em Lisboa, após 12 restaurantes a funcionar, só na área de Lisboa, após a publicação em português de duas dezenas de livros e de um periódico que se chamou «Jornal da Via Macrobiótica» e de outras publicações mais efémeras, já ninguém pode hoje dizer que desconhecia e, por isso, adoeceu.
Ninguém está inocente das suas próprias doenças.
Após o pioneirismo de ecologistas e ambientalistas, já niguém pode hoje alegar que não sabia: a doença está no ambiente, está principalmente no ambiente e nenhum diagnóstico o pode ignorar. Se o ignora, não é a Ecologia Humana que tem que se demitir, mas as instituições que continuam a chamar doença à saúde e saúde à doença, na mais indescritível das confusões.
Ninguém pode hoje alegar ignorância.
Após a fase heróica em que lacto-ovo-vegetarianos ajudaram a impor uma nova noção de higiene alimentar, ninguém pode hoje ignorar o contributo da macrobiótica como vanguarda do vegetarianismo: o movimento holístico não pára, está em constante evolução e a macrobiótica, ela própria em movimento, veio para dinamizar o que tinha a tendência para cair na inércia.
Ninguém pode hoje alegar desconhecimento das alternativas de vida que se colocam ao beco sem saída que é a sociedade moderna, dita de consumo, dita industrial e dita também do lixo e do luxo.
Se os ambientalistas sectoriais (e sectários) contribuíram muito pouco para a amplitude de um verdadeiro movimento holístico, ignorando completamente a ecologia humana, isso não significa que tudo seja hoje claro quanto ao paradigma que sairá vencedor neste fim de século e neste fim de milénio.
Ninguém pode alegar ignorância desse paradigma.
Quando a Entropia acelerada conduz o Planeta Terra a um regime de catástrofe permanente, só ignora quem quer as saídas e as alternativas que hoje se colocam.
Se nos guiarmos pela lógica do bom senso, em vez de sermos subservientes à lógica do absurdo, do disparate e do non-sense, num mundo que se tornou, com ajuda dos media, ridiculamente pós-surrealista, sabemos que a saúde é para conservar e não para desperdiçar.
Que a doença é uma oportunidade de evoluir e não uma oportunidade de acrescentar mais lucros aos que dela vivem. Como dizia Antonin Artaud, o suicidado desta sociedade e deste sistema, «os que vivem, vivem dos mortos.»
Quem não tiver vocação de vampiro, só tem que mudar de agulha. Sem esquecer que a pior doença é a da alma: embora se note menos, mas a neurose do lucro (a febre do bezerro de ouro, como diria o nosso sempre lembrado António Sérgio), mas o que hoje se verifica, como nova endemia destes tempos terminais, é que as almas dos poderosos já ardem nas labaredas de um merecido inferno... Antes ficar no purgatório onde essas alminhas de sucesso (consumidas pela ganância) nos condenaram a ficar.
Curar é fácil, e prevenir ainda mais. Difícil é vencer a opacidade estúpida e arrogante, a inércia da asneira, os preconceitos familiares e escolares, os interesses e monopólios da indústria alimentar que mata, a fraude publicitária e a mentira dita científica, a escalada mediática de violência, o poço sem fundo da era do virtual.
A verdade não está só nos livros, nem está principalmente nos livros. Depende essencialmente dos olhos puros e sem preconceitos que queiramos abrir à maravilhosa e poderosa Ordem do Universo. Cujas leis teimamos em não respeitar. Em não conhecer. Em ignorar.
Porque sabemos demais das ciências que temos.
Porque nos ocupamos mais a ter do que a ser.
Porque estamos metendo as nossas alminhas no inferno, convencidos de que voamos (a jacto) a caminho do paraíso.
Não digam é que ninguém avisou.
No dia do julgamento, ninguém poderá alegar ignorância.
+
<satillar-2><diario>
NINGUÉM ESTÁ INOCENTE
9-7-1992 - Ninguém está inocente das doenças que tem.
Após a cura de Satillaro - em 15 meses de macrobiótica - já ninguém pode hoje alegar ignorância.
Após 8 seminários de Michio Kishi em Lisboa, após 12 restaurantes a funcionar, só na área de Lisboa, após a publicação em português de duas dezenas de livros e de um periódico que se chamou «Jornal da Via Macrobiótica», já ninguém pode hoje dizer que desconhecia e, por isso, adoeceu.
Ninguém está inocente das suas próprias doenças.
Curar é fácil, e prevenir ainda mais. Difícil é vencer a opacidade estúpida e arrogante, a inércia da asneira, os interesses e monopólios da indústria alimentar que mata, a fraude publicitária e a mentira dita científica.
A verdade não está só nos livros, nem está principalmente nos livros. Depende essencialmente dos olhos puros e sem preconceitos que queiramos abrir à maravilhosa e poderosa Ordem do Universo. Cujas leis teimamos em não respeitar. Em não conhecer. Em ignorar.
Porque sabemos demais das ciências que temos.
<satillar-3> - imunidade e cancro – a conspiração do silêncio – os dossiês do silêncio – notícias da clandestinidade – inédito ac de 1988
O QUE SE ESCONDE SOBRE O CANCRO (*)
(*) Escrevi este artigo para a Crónica do Planeta Terra mas acho que não chegou a ser publicado, permanecendo portanto inédito
23/4/1988 - A "cura do cancro" por meios naturais é a arma de choque que os adeptos do movimento holístico só devem utilizar em último recurso, no trabalho militante de abrir os olhos aos que não querem ver, de convencer os cépticos e os pedantes.
O próprio Michio Kushi, considerado o líder mundial do movimento macrobiótico, só em última instância recorre a essa arma "extrema" e só em último caso cita as "curas de cancro pela Macrobiótica", evitando falar dos êxitos que ele próprio tem conseguido em casos de SIDA e cancro através da alimentação baseada nos princípios taoístas do yin-yang.
No último seminário que realizou em Lisboa, entre 9 e 12 de Abril de 1988, Michio Kushi teve que falar aos cépticos e por isso utilizou o argumento mais forte contra a incredualidade e contra a "cegueira" dos que não querem ver, porque não lhes convém.
Mas citou apenas dois casos dos muitos que a sua longa experiência de terapeuta holístico já lhe deu a conhecer (alguns desses casos são relatados na obra "A Dietary Approach To Cancer According to the Principles of Macrobiotics", editada em Boston pela The East West Foundation) .
Como exemplo clássico, já célebre, contou o caso do Dr. Anthony J. Satillaro, director do Hospital Metodista de Filadélfia, curado em nove meses de um cancro na próstata, já com metástases na coluna, costelas e ombro, e já depois de uma operação cirúrgica aos testículos.
"Todos os colegas do Dr. Satillaro desistiram do caso - conta Michio - mas a Macrobiótica curou-o completamente."
Se há ainda quem duvide talvez seja porque a estupidez é uma doença muito mais difícil de curar do que o Cancro...
Ainda que isto possa soar a falso e a "bruxaria de charlatão", aos ouvidos dos mais cépticos, tantas vezes bombardeados com "milagrosas curas" ora com ervinhas ora com novos medicamentos, o facto é que o Dr. Satíllaro conta a sua própria história no livro intitulado "Recalled by Life - The Story of my Recovery from Cancer", que por sinal se encontra traduzido e editado em língua francesa, na casa Calmann Lévy, de Paris, com o título "Rappelé a la Vie - Une Guérison du Cancer".
Outro caso , impressionante e comovente, também citado por Michio Kushi no último seminário, em Lisboa, é o de Elaine Nusabaum, e vem relatado na revista "Macromuse romuse", que se publica na cidade norte-americana de Bethesda (Maryland).
É ela própria, Elaine Nussbaum, que resume o seu livro editado nos Estados Unidos e intitulado "Recovery: From Cancer to Realth Through Macrobiotics".
ARROGÂNCIA É A MAIOR DOENÇA
Depoimentos como o do Dr. Satillar em favor da Macrobiótica, não vencem nem convencem evidentemente o cepticismo médico, que permanece impassível e rígido mesmo face às evidências.
Mas essa rigidez e esse cepticismo imperturbável são ainda componentes da doença ocidental, do caldo cultural onde todos mergulhamos mas principalmente aqueles que se encontram rendidos à lógica aberrante do sistema.
Conforme Michio Kushí recordou, a reacção da classe médica aos casos indiscutíveis de combate vitorioso contra o Cancro, distribuem-se por vários níveis:
- uns dizem que a alimentação não tem nada a ver com Cancro
- outros dizem que foi por acaso
- outros ficam interessados em saber mais mas pouco mais vão além disso e acabam por esquecer, absorvidos pelo trabalho médico e cirúrgico...
Implícito no ensinamento de Michio Kushi é que a maior doença do homem ocidental não será talvez nem o Cancro nem a sida mas três ordens de factores que são o leit-motiv deste pregador laico e marcas trágicas da nossa época de Kali Yuga:
- A arrogância do homem ocidental que perdeu o fio da sabedoria desde que se intoxicou de várias e desvairadas ciências
- O cepticismo que decorre dessa arrogância e que é inerente à própria ciência, que desliga em vez de religar, que divide em vez de unificar
Finalmente, a inércia de um sistema que provoca as suas próprias doenças através dos produtos que coloca no mercado e que vende aos consumidores.
COMO UM PESTÍFERO DA IDADE MÉDIA
Proclamar hoje estes e outros factos, que constituem realidades indesmentíveis pela Sofística que é a ciência moderna ao serviço do Establishment, constitui logicamente uma actividade subversiva dos interesses económicos que dominam o mercado dos consumos, que é também o Mercado do Cancro.
Não admira que haja uma tensão implícita a tais notícias, com tendência, cada vez mais, a serem noticias de uma clandestinidade forçada.
Ainda a propósito de Cancro e do que se esconde sobre as alternativas de terapêutica metabólica que se abrem ao seu tratamento com um desfecho vitorioso sobre a doença e a morte, vale a pena lembrar o livro publicado em França, há quase dois anos, "Ce qu'on cache sur le Cancer", do médico Philippe Lagarde.
Apesar de médico, com todas as formaturas e diplomas necessárias, Lagarde é um dos que tentaram romper a "conspiração do silêncio" sobre as alternativas ecológicas e holísticas de saúde, sobre as técnicas apropriadas de prevenção e profilaxia das chamadas "doenças da civilização".
Menos de dois anos depois de publicar o livro, o sistema mostrou que mantinha Lagarde sob "rigorosa vigilância médica" e sucedeu o insólito surrealista no País de André Breton, considerado, outrora, a grande pátria da Liberdade, da Democracia e da Cultura!
Nem Liberdade, nem Democracia, nem Cultura revelou o sistema ao encarcerar Philippe Lagarde, a pretexto de que estava a curar gente demais no seu consultório...
DESCULPAS SISTEMÁTICAS
O caso do médico Lagarde, submetido a quarenta dias de prisão, dois deles de fome total, sofrendo sevícias que nem aos piores pestíferos da Idade Média a inquisição dispensava, em condições de detenção e prisão que envergonhariam qualquer Estado de direito de uma Europa que se diz democrática, evidencia até que ponto os temas tabu da cura ecológica e o movimento holístico na sua radicalidade constituem um espinho cravado nos interesses comerciais do sistema estabelecido.
Moral da história: ou a área holística e ecologista cria os seus próprios canais e órgãos de comunicação e informação, ou a imagem das eco-terapêuticas e das alternativas à Medicina será cada vez mais deturpada nos órgãos ditos de Comunicação Social.
Jornais, rádio e TV comportam-se, na melhor das hipóteses e quando não omitem pura e simplesmente o assunto, de maneira ambígua relativamente aos temas alternativos, ecológicos e holísticos ( que retiram freguesia ao mercado dos consumos de morte...) preferindo quase sempre, quando adregam de lá ir, a parte sensacionalista e folclórica que é sempre possível descobrir nas alternativas.
Isto para que na opinião pública se forme uma imagem pouco lisonjeira dessas actividades, práticas e técnicas libertadoras.
Quando se trata de mostrar a verdade sobre a cura do cancro p nr métodos metabólicos, a Informação retrai-se e faz "censura", alegando falta de espaço ou (nas antenas) falta de tempo.
Aparentemente, a RTP teria contribuído recentemente para melhorar essa imagem, transmitindo ao domingo uma série de divulgação sobre as chamadas "medicinas alternativas".
Sendo sabido que a RTP não dá porque não pode dar, ponto sem nó, é de crer que a intenção fosse, no mínimo, a da amálgama (técnica francesa muito apreciada já pelos surrealistas); mostrar e misturar, no mesmo saco, fraudes como a dos "curandeiros das Filipinas" com as verdadeiras técnicas holísticas e terapêuticas de saúde, que são hoje uma actividade de carácter científico , experimentalmente comprovada, como qualquer outra que se preze.
ATÉ QUANDO, CATILINA?
Holística é a arte de conservar a saúde, medicina é a arte de combater a doença.
Os técnicos holísticos de saúde, portanto, é disso que tratam e não de combater a doença. Movendo-se na área da prevenção e da profilaxia, não têm nada a ver com o insano combate à doença que tanto ocupa todos os quadrantes do Establishment , numa espécie de guerra perpétua contra aquilo que perpetuamente se fabrica.
Combater a doença é competência das medicinas curativas ou sintomatológicas, alopáticas ou homeopáticas.
Aos técnicos holísticos cabe apenas conservar a saúde, o que talvez afinal explique tanta sanha contra eles...
Para que os técnicos holísticos de saúde tenham direito à profissão que escolheram e a exercer livremente a actividade para a qual estão habilitados, por escolas oficialmente reconhecidas, há todo um caminho a percorrer de ordem legislativas mas esse caminho passa também por um trabalho de informação intensiva, de preparação técnica exaustiva, por cursos de reciclagem e actualização.
Tomou a Associação Portuguesa de Naturopatia a seu cargo, recentemente, a realização destes cursos, demonstrando que sabe seguir no caminho certo: só informando e formando bem se poderá, no médio e no longo prazo, mudar as mentalidades retrógradas para mentalidades de progresso.
Dignificar a imagem dos técnicos holísticos passa por órgãos de informação próprios, dada a inércia irresistível para a Asneira que preside aos habituais canais.
Até quando , também nesta matéria, marcharemos na cauda da Europa? Enquanto os técnicos holísticos de saúde, na Europa dos 12 (talvez com a única excepção da França, onde a repressão queima) já conquistaram um estatuto de dignidade que profissionalmente os honra como classe e aos governos que apoiam essa actividade, a situação em Portugal encontra-se cada vez mais degradada e a imagem pública da Naturoterapia é cada vez pior.
Para quando um Serviço de Informação Holística, independente dos poderes económicos e em defesa do consumidor, da saúde, da segurança e da qualidade de vida do cidadão?
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(*) Escrevi este artigo para a Crónica do Planeta Terra mas acho que não chegou a ser publicado, permanecendo portanto inédito ■