1-5 <eliade-md-1-5> sexta-feira, 7 de Novembro de 2003

+

1-2 < 93-08-03-ls> leituras do afonso

4683 caracteres <eliade-1><adn>

 

 

À LUZ DA HIPÓTESE VIBRATÓRIA

REGIÕES ENERGÉTICAS NO MAPA DO COSMOS

3/8/1993 - 1 - À luz da Hipótese Vibratória, a história das religiões tem uma leitura radicalmente diferente daquela que tem sido feita até agora, por todos os exegetas, incluindo o maior de todos, Mircea Eliade. Ele fornece todos os dados conhecidos mas sem os interpretar à luz da hipótese vibratória e isso revela-se redutor. Para ele, como para todos os que fizeram a história dos símbolos e mitos, estes constituem «fruto da imaginação», mais ou menos delirante, mais ou menos ingénua, de egípcios, babilónicos, caldeus, sumérios, mesopotâmicos, aztecas, hebreus, mazdeístas, and so on. À luz da Hipótese Vibratória, os mitos deixam de ser «fruto da imaginação» humana para serem descrições (aliás belas) de uma realidade, invisível mas realidade de facto, que eles - os povos citados -, ao contrário de nós, conheciam. São verdadeiros relatórios do invisível, os símbolos e mitos, as metáforas e alegorias, os sonhos e lendas. Mitos e mitologias são uma história de factos, simplesmente esses factos pertencem ao mundo do Invisível. E é por isso que Mircea Eliade, no seu maravilhoso ensaio «O Mito do Eterno Retorno», fala daqueles povos que traçaram do Cosmos um mapa tão completo como nós hoje temos uma Mapa da Terra. A história de lendas, mitos, símbolos, quando um dia, muito brevemente, for relida à luz da Hipótese Vibratória, revelará esse mapa luminoso, assinalando grandes e pequenos lagos, baías, cabos, ilhas, arquipélagos, países, regiões, penínsulas, caminhos, províncias do Céu estrelado. Estradas de Santiago e Estrelas Polares já são topónimos desse Mapa do Céu. Pouco tem a ver este mapa com o Mapa do Cosmos (aliás belíssimo) que hoje se desenha e publica para o público amante das viagens interespaciais. Este «Cosmos» dos Carl Sagan, de facto, nada tem a ver com o Céu que nos descrevem as grandes tradições do Sagrado. Mas desde já e, pelo contrário, um esboço muito aproximado desse mapa do Céu são os diagramas da hierarquia cósmica (Céu, Terra, Inferno como refere Mircea Eliade) que os livros de Etienne Guillé tão belamente nos fornecem. Tal como escreve Mircea Eliade, «segundo as crenças dos mesopotâmicos, o Tigre tem o seu modelo na estrela Anunite e o Eufrates na estrela da Andorinha. Um texto sumério refere o «lugar das formas dos deuses», onde se encontram «os deuses dos rebanhos e dos cereais». Também para os povos altaicos as montanhas têm um protótipo ideal no Céu. Os nomes dos lugares e «nomes» (antiga divisão egípcia) eram atribuídos de acordo com os «campos» celestes: primeiro conheciam-se os «campos celestes», que depois eram identificados na geografia terrestre.» Para traduzir esta abstracta realidade - a que deixámos de ter acesso directo, como se não nos dissesse respeito - o historiador Mircea Eliade utiliza nomes que são termos-chave da lógica terrestre quando quer entender e ler os fenómenos regidos pela lógica celeste: «protótipo», «arquétipo», «modelo», «holos», «áreas», «regiões» mas principalmente «campos», a palavra de interface que faz a transição do concreto para o energético: campos de força, campos magnéticos, campos quânticos, etc. Interfaces do Sagrado/Profano são também palavras como «Cosmogonia», «Hierofania», «Teofania», «Teogonia», etc. Há, de facto, uma diferença radical no modo de ler a história das religiões, antes e depois da Hipótese Vibratória. À luz desta, as crenças arcaicas não são manifestações de primitivismo mas a linguagem perfeita para traduzir um conhecimento de factos (fenómenos) que, por invisíveis, nos escapam mas que esses povos arcaicos conheciam. E vai daí? «O Mito do Eterno Retorno», que tem dado a volta à cabeça de filósofos como Nietzsche e Sant'anna Dionísio, surge como um facto real quase banalizado, se atentarmos no diagrama ou mapa celeste das eras zodiacais. De facto e à escala de 48 milhões de anos - um ano cósmico... - a criação é circular. Voltamos ao mesmo ponto, todos os 48 milhões de anos, tal como voltamos ao mesmo ponto todos os solstícios e equinócios, tal como voltamos ao mesmo ponto todas as manhãs...

PS: Ainda a propósito do ensaio de Mircea Eliade: as ficções, no sentido de invenções de coisas que nunca existiram, são de facto uma criação do romanesco moderno, tempo e mundo de fantasmas, histórias de fantasmas para seres humanos-fantasma, quer dizer, desligados da sua existência cósmica. O Romanesco como ficção é um fenómeno moderno, recente, pequenino e vai desaparecer como tudo o que engorda o Poder e o Poder manipula.

+

1-1 < 95-06-10-dd> diagrama a diagrama

3072 caracteres <eliade-2><a-diagra><adn>

 

DIAGRAMA A DIAGRAMA

INICIAÇÃO E LIMPEZA DE MEMÓRIAS (*)

 

(*) [ 10/6/1995, enquanto lia Mircea Eliade ]

Tendo a sociedade moderna perdido a prática da iniciação - se é que alguma vez a teve -, prática que se mantém incólume em algumas sociedades ditas primitivas ou tradicionais, poderão estas sociedades servir-nos de modelo?

Se a iniciação, nas sociedades primitivas ou tradicionais, é uma prática que visa integrar o neófito na sua memória colectiva ancestral, dir-se-á que cada povo, ao individualizar-se, tem de fazer a sua iniciação com base nos seus deuses tutelares, nos seus antepassados.

Mas se o homem moderno, concretamente o europeu, e mais concretamente ainda o português, perdeu - arrancou - os seus deuses tutelares como quem arranca as raízes, a que deuses irá recorrer se quiser fazer a iniciação segundo Etienne Guillé?

Há 3 aspectos a considerar (Diagrama Nº 21):

1 - Num primeiro tempo, procurará as raízes mais próximas - no espaço e no tempo - hebraicas, egípcias, célticas

2 - Procurará, num segundo tempo, as raízes (ou memórias) mais longínquas - mesopotâmicas, atlantes, Mu

3 - Num terceiro tempo, se virmos o diagrama das memórias(Diagrama nº 21) mas especialmente os diagramas da cassete hebraica (Diagramas nº 23, 24) compreenderemos que há um grande trabalho de limpeza a fazer a nível das nossas memórias.

E que nem tudo, nessas memórias, é «bom», como uma certa concepção romântica do inconsciente colectivo nos pode levar a crer: nunca poderemos esquecer que em cada «cassete molecular» (assim as designa Etienne) de cada civilização (de cujas memórias estamos impregnados) há 6 energias positivas e 6 energias negativas.

Não esquecer que, segundo Etienne Guillé, a iniciação se chama Psicostasia ( retirada do chamado «Livro dos Mortos dos Antigos Egípcios» que, segundo Etienne, deve antes ser traduzido por «Livro da Abertura à Iluminação») ou stress positivo ou OUCI. E de que as nossas mais próximas raízes, provavelmente, serão celtas, e só depois hebraicas e só depois egípcias (Ver Diagrama Nº 21).

Por isso, no seu seminário de Abril de 1995, Patrice Kerviel escolheu para tema de estudo a demanda do Graal segundo a versão mais autêntica que se conhece da «lenda». E a intenção era fazer-nos mergulhar no inconsciente colectivo - o céltico - que nos está mais próximo no espaço e no tempo.

Ao estabelecer o conceito de stress positivo - e ao compará-lo à Psicostasia dos egípcios (Ver Diagrama Nº 1) - , e ao assimilar esse stress positivo com a fase Solve do movimento alquímico (logo da alma, logo da ADN da célula) - (Ver Diagramas alquímicos) - Etienne deu uma dimensão humana e existencial ao mítico processo de «prova de passagem» que são as iniciações segundo um certo folclore literário e antropológico que delas desenham um quadro irreal e fantástico, desligado dos humanos horrores.

A iniciação enquanto stress positivo é (dificilmente) democratizada e a «morte iniciática» (Psicostasia, ver Diagrama Nº 1) torna-se um facto quotidiano

(*) [ 10/6/1995, enquanto lia Mircea Eliade ]

+

<eliade-3>

OS MITOS NÃO MORREM

Será que o sagrado morreu e as sociedades modernas se tornaram tão profanas como se proclamam?

Será que a secularização apenas encobre, mas mal, o «mito» que nelas persiste, embora sob formas degradadas e diminuídas?

Não se fará a política de mitos, por exemplo? E os grandes espectáculos de massas, o que são hoje senão rituais de uma religião lúdica? E as manifestações políticas?

Questões de fundo como estas, emergem na obra de Mircea Eliade, que é uma meditação sistemática, uma reflexão exaustiva sobre o que essencialmente estrutura o espírito humano, seja qual for a cultura e civilização a que pertence.

Como todos os livros de Mircea Eliade, também este que agora se publica em português, no Círculo de Leitores (*), se poderá considerar uma viagem aos confins do espírito humano, e não apenas um percurso mais ou menos limitado por alguns mitos, símbolos e mistérios que relacionam o homem com a divindade.

Através dos tempos e dos lugares, algo de constante permanece e esse algo anda muito próximo do que os historiadores das religiões (como Mircea Eliade) chamam mito.

Mas dizer que Eliade - falecido em 1986, com uma gigantesca obra legada à humanidade - é um «historiador das religiões», diminui o alcance do seu trabalho, que, no fundo, transcende em muito o fenómeno religioso no sentido estrito, espraiando-se afinal pelo que se poderá designar o «sentido religioso da existência», muito mais próximo, portanto, da criação e do imaginário humanos, e dos mecanismos que presidem ao seu «normal» funcionamento - quer seja uma lenda azteca ou uma manifestação de massas da actualidade política, onde os «media» desempenham o papel religioso - mediático, como se diz - que ontem era atribuído aos poemas épicos ou às lendas heróicas.

Tal como em Julius Evola, René Guenón, Gaston Bachelard, Gilbert Durand e, em certo sentido, com Lévy Strauss, Frazer e Mauss, o fenómeno religioso é, em Eliade, apenas pretexto para compreender melhor e de maneira mais precisa o «funcionamento do espírito humano» no que ele tem de essencial e de permanente, para lá da contigência das formas ou das conjunturas de tempo e de lugar. Ao inventariar lendas, arquetipos, símbolos, deuses, mistérios, cerimónias, ritos e rituais, o que Mircea Eliade procura é aquilo que define de maneira lapidar o fenómeno humano, quando não está sujeito às condicionantes de tempo e de lugar.

Sem se intitular estruturalista, foi as estruturas do essencial que ele estudou, embora através do fascínio das formas e das imagens, das múltiplas formas que a imaginação assume, vendo essas estruturas ligadas entre si por nexos e vínculos que estudiosos de várias especialidades e proveniências - psicanálise, antropologia, etnografia, filologia, história das técnicas e história das religiões, etc - tentam explicar por meios analíticos. Só que alguém terá que realizar a síntese, para que tudo isso tenha sentido. Mircea Eliade, trabalhando com a matéria de várias ciências particulares, é um desses raros génios da síntese. Que, ainda por cima, se lê como um bom romancista de aventuras...

----------

(*) «Mitos, Sonhos e Mistérios», Mircea Eliade, Ed Círculo de Leitores

 

+

 

3188 caracteres

1-2 < 02-03-15-ls> leituras do afonso <eliade-5> word

 

MIRCEA ELIADE À LUPA

«A iniciação equivale a uma mutação ontológica do regime existencial» - Mircea Eliade

15/3/2002 - 1 - Em Mircea Eliade, o europocentrismo da cultura dominante alarga-se para um universalismo rectificador. Por isso, as suas incursões, a propósito de Alquimia, na tradição chinesa (taoísmo) e hindú (budismo tântrico) têm essa marca de universalizar as mais remotas origens da sabedoria, corrigindo assim, e em boa parte, o partis-pris da cultura europocêntrica.

Se, a partir de 1983 (L'Alchimie de la Vie - Biologie et Tradition, Ed. Du Rocher, Paris, 1983), Etienne Guillé nos não tivesse trazido a abordagem mais aproximada da sabedoria alquímica e das ciências sagradas (alquimia, magia, numerologia, Kaballah, astrosofia, para começar...) , de que podemos dispor em 2002, seria certamente de Mircea Eliade que nos teríamos de valer para que essa aproximação ao sagrado e à sabedoria do sagrado tivesse menos tergiversações e confusões do que aquelas que tem tido neste tempo de caos sobre o espírito e as ciências do espírito (Noologia).

2 - O relato de Mircea Eliade sobre culturas arcaicas derruba todos os preconceitos que ainda possam existir relativamente à valia cultural (espiritual) dessas culturas e deita por terra aquela patologia intrínseca da sociedade moderna e que consiste na mania de que detém o «facho do progresso», abaixo do qual se encontram todas as (grandes) culturas do passado e só porque são do passado.

O mito modernista do progresso sofre, com Mircea Eliade, o seu golpe de misericórdia, mas sem que o autor nada tenha feito propositadamente para que isso aconteça.

3 - Com Mircea Eliade é clara a convergência dos itens que mais podem ocupar e preocupar o pesquisador do novo paradigma: iniciação, cura iniciática, alquimia, simbolismo, sagrado, magia, etc. Ou seja: a ciência ou sabedoria iniciática (noologia) não pode separar-se dos seus constituintes estruturais. Tudo se liga a tudo e as dificuldades de abordagem têm que ver com essa simultaneidade, já que o pensamento linear se tem mostrado impotente para compreender e pensar a simultaneidade.

4 - Maior do que a Austrália (o país-ilha-continente) é o tesouro de sabedoria dos aborígenes australianos que falam do «tempo dos sonhos» ou dos «tempos do sonho». (Mircea Eliade, Iniciaciones Místicas, Ed. Taurus , Madrid, 1958, pg. 23) .

 

5 - Para o pesquisador do maravilhoso e da sabedoria do maravilhoso, sugerem-se algumas expressões e palavras-chave em Mircea Eliade:

homem-medicina (xamã)

in illo tempore

imago mundi

cultura arcaica

tempos primordiais

técnicas de iniciação

história espiritual da humanidade

mistério iniciático

rito iniciático

proibição ritual

morte iniciática

ytansmutar a existência humana

renovatio iniciática

albedo = leukonis

putrafactio = nigredo

citrinatas

rubedo

 

6 - Biblioteca do Gato ( Ver lista de obras de Mircea Eliade -13 títulos - existentes em 2002-03-15)

+

317 caracteres <eliade-1><listas><adn> listas A a Z  léxico-chave para testar

 

LÉXICO DE INICIAÇÃO

In «Iniciaciones Misticas», de Mircea Eliade

 

Antepassados

Caos

Cosmos

Iniciação

Morte iniciática

Nascimento iniciático

Pensamento arcaico

Provas de passagem

Ritos

Sobrehumano

Sobrenatural

Sociedades primitivas

Sociedades tradicionais

Tempos (Começo dos)

Tábua-rasa■