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<89-01-07-CH>chave ac - <holist –1> <holist1><diario> - cábula do aprendiz domingo, 18 de Agosto de 2002: repete parcialmente o file <holística-nb>ITENS DE ECOLOGIA HUMANA
REPESCAGEM EM 27/AGOSTO DE 1990
7-1-1989
O estudante de Ecologia Humana poderá encontrar nos textos AC, entre outros, os seguintes temas e assuntos:
(In «A Capital», 11/5/1985, ent. c/ J.Santos Lucas )
- Congressos de medicina popular- que imagem pública para as técnicas terapêuticas? («A Capital», 25/6/1983)
O LADO OCULTO DESTA SOCIEDADE
7/Janeiro/1989 - A propósito de «deficientes» ou de qualquer outro subproduto da sociedade violenta,
De resto, não há dúvidas em encher com milhões de palavras sobre «deficiência» os «mass media».
Só a pergunta «porquê» é tabu e proibida: é subversiva.
Escândalo não é o «doping», os esteroides anabolisantes nos herois da maratona olímpica ou nos corredores da Volta a Portugal em bicicleta.
Pergunta omissa e incómoda, que torna o problema um tabu, o tema proibido, o assunto subversivo, é ainda e sempre: «Doping, porquê? Quem é o culpado de ou por? Quem e o que obriga os maratonistas a dopar-se?»
Os «media» gabam-se de informar as massas. Mas das causas não indagam, a pretexto de isenção e neutralidade.
A palavra «poluição» pode servir para esconder palavras mais violentas e pesadas, mas que raramente ou nunca se ouvem, como por exemplo:
Começando por ser uma técnica de diagnóstico, a despistagem de factores ambientais na génese da doença constitui uma intuição do realismo ecológico e uma linha de fundo da investigação holística, estando evidentemente por fazer todo o trabalho de sistematização e até de dicionarização dos factores de poluição química, factores alimentares e, em resumo, toda a lista negra dos factores ambientais que actuam como causa na provocação dos chamados sintomas.
Antes de punir ou julgar crianças, porque não fazer uma, entre tantas, pergunta de rotina: que comem elas e como comem? Onde vivem? Onde habitam? Qual a sua história pregressa?
Um dos maiores crimes que, por omissão, se cometem, é não realizar o diagnóstico ecológico em todas as circunstâncias - indagar das causas ambientais que provocaram determinados efeitos: deixando as causas continuar actuando, os efeitos multiplicam-se.
Ecologismo já foi definido, por isso mesmo, como causalismo face à monstruosa sintomatologia.
Sem «diagnóstico ecológico» não há fundamento seguro de qualquer justiça social, ideia de equidade ou equilíbrio homem-ambiente. Toda a retórica progressista, normativa, triunfal se desfaz.
Pegar nos nossos consumos quotidianos - café, carne, papel, bebidas, etc. - e seguindo-lhes o rastro até à produção, saber em que medida os nossos gozados consumos nos custam a vida em tragédias ecológicas as mais diversas, é uma rota típica do realismo ecologista, uma pista da ecologia humana e da investigação holística.
«Pelos consumos morre o homem...»
Isto dá também para uma narrativa de ficção. Aliás toda a Ecologia Humana dá bom tema de ficção... científica (Ver diário, 20/Agosto/1990, a «metáfora orgânica»).
Até que ponto somos responsáveis - através dos consumos - dos crimes contra a Natureza?
(Salvo erro e até hoje, 20 de Agosto de 1990, não vi esta pergunta formulada, nem sequer como anedota. No entanto, segundo julgo, é uma das questões cruciais que definem este tempo e mundo).
A resistência de estirpes bacterianas aos antibióticos, de certos ratos e do mosquito Anofélis, vector da Malária ao DDT, são apenas alguns casos de uma escalada que coloca os métodos biocidas da medicina química, - humana, animal e vegetal - sob o foco de severas críticas.
Aconselhável seria que o «lobby» médico se dedicasse (?) a estudar estes e outros cancros (!!!) que tem na própria casa, em vez de distrair as populações com «raids» de surpresa, de uma guerrilha absurda contra as medicinas que curam.
Para os académicos da Medicina, a grande ciência consiste em inventar, para cada nova doença, um novo medicamento anti-doença.
É evidente que o esquema é primário mas vai accionar até ao infinito o mecanismo iatrogénico produtor de (novas) doenças.
A ecociência do futuro, no entanto, fará outra coisa: em cada novo sintoma, irá deslindar que causa ambiental é a dele.
Ciência, aliás, sempre foi - ou deveria ter sido, se não degenerasse em sofística - ligar o efeito à causa que o produz, e «denunciar» esta pelo diagnóstico, para que a terapêutica a erradique. Ciência não é - como faz actualmente a medicina - ocultar a causa ambiental - e esquecê-la - abafando ou anestesiando o efeito.
Notícias de «novas e estranhas» doenças deveriam ser inventariadas num centro de investigação holística, para que os novos ecocientistas da ecologia humana espevitem a imaginação investigativa, lançando hipóteses de trabalho e tentando descobrir que causas, factores, condições do Meio Ambiente produzem determinados surtos patogénicos ou endémicos.
Isto é ciência. O resto é caca sofística ao serviço (mercenário) dos «trusts» químico-farmacêuticos.
(*) Este texto( repescado em 20/Agosto/1990), data do ano de 1976, sendo contemporâneo próximo do projecto «Terra do Sol», comunidade de inspiração budista onde se previa intensificar a investigação holística, que nessa altura muito atiladamente designava por ecociência, termo que até hoje, felizmente, ninguém me palmou.
«Sensação de morte iminente» é como os operários da indústria metalomecânica costumam exprimir ao seu médico o que sentem no «invólucro» chamado «banco de ensaio», utilizado em fábricas de motores de reacção para testar estes aparelhos.
Os subsons produzidos pelo «banco de ensaios» apresentam-se hoje aos investigadores como um dos factores de risco mais graves na indução de «novas patologias ocupacionais».
Vinte anos a marcar passo, a investigação destas patologias começa agora a dar um enorme salto, pressionada pelas consequências «desastrosas»,porque em parte antieconómicas, que sobre a produtividade e a assiduidade laboral podem ter as «vibrações», factor de alto risco no ambiente ou «invólucro» de trabalho.
(*)Esta informação foi-me prestada pelo Dr. [---], que entrevistei para o jornal «A Capital» , em [---]
«Iatrogénico» foi a palavra escolhida para designar os efeitos negativos dos medicamentos, efeitos para os quais, num esforço de anular conotações negativas, neutralizar responsabilidades e desculpabilizar culpados, se procuram palavras - adjectivos - o mais possíveis neutrais, sem prévia conotação deontológica...É assim que ouvimos especialistas em Farmacologia Clínica ou em Toxicologia, falar de:
jamais se falando de «efeitos indesejáveis», por exemplo, adjectivo que, ainda que suave, teria um sentido mais crítico e derrotista.
Se há sistema caótico, dentro do sistema que vive de ir matando os ecossistemas, é o dos Medicamentos.
Mas se há sistema em que a autodefesa - através de todo um aparato sofístico, tipo fogo de barragem - esteja mais bem organizada, é também esse.
O que nem sequer é contradição.
Sob o manto diáfano das palavras...
São insondáveis os mecanismos que ligam o esgotamento dos recursos naturais aos custos inflacionários que nos comem pelas pernas.
Quanto custa a cada um de nós, vulgar cidadão consumidor, o sistema do desperdício e da pilhagem?
Quanto custa, por exemplo, ao trabalhador manual que paga impostos o luxo de ter uma classe tecnocrática, quanto custa aos nossos bolsos de contribuintes a mentira e a estupidez da classe dirigente que existe apenas para branquear, com sofismas, os crimes do poder económico, político, financeiro, militar?
Mas este é apenas um dos muitos desperdícios que cada um de nós assiduamente paga, entre tantos desperdícios, luxos e supérfluos de que se alimenta a classe dirigente mas de que nunca foi feito nem sequer o inventário, quanto mais a crítica e a respectiva remoção.
A classe dirigente bem precisa de quem continuamente lhe possa branquear a imagem, continuamente suja de sangue pela sua própria natureza.
Este tema liga-se também à investigação holística, pois nele se configura mais um dos célebres e famigerados teleefeitos típicos do macrosistema, indetectáveis pelos instrumentos metodológicos ao dispor da sociologia actual... Também nunca se apetrechará suficientemente os bombeiros que apagam os fogos de Verão, enquanto não estiver totalmente ardida a área que está prevista arder, segundo os cálculos das multinacionais.
Também a Sociologia não terá meios nem recursos de investigação, quando se tratar de averiguar quem são os responsáveis «sociológicos» pelos nossos desperdícios, desaires, erros, crimes.
Com mais este teleefeito, contribuímos para reforçar o macrosistema e portanto algumas das características que indefinidamente contribuem para o perpetuar: gigantismo, burocracia, sintomatologia, tratar em vez de prevenir, deixar complicar em vez de simplificar, etc.
Diz-se que um «colar de âmbar» pode melhorar as pessoas que sofrem de Bócio.
Se é verdade, a que se deve o fenómeno?
Se é verdade, porque não se estuda o fenómeno?
Em maternidades e outros lugares de maternal assistência à família, é corrente o uso de umas injecções - Higroton - dadas para que a mãe não tenha segregação de leite.
A ser isto verdade, porque se dão tais injecções?
Porque vem o discurso oficial de que a mãe deve amamentar o bebé com o seu próprio leite?
Quem manda dar o Higroton e ao serviço de quem ou quais (multinacionais)?
E os brometos? Porque se usam com tanta frequência, nas clínicas e maternidades, os brometos em parturientes?
É ou não verdade que o brometo também seca o leite?
Quem explica o negócio?
(*) Esta anotação foi escrita quando a Ana Cristina nasceu ( de Setembro de ------), tendo verificado a existência de brometos entre os medicamentos receitados e dados à mãe na maternidade da Cruz Vermelha, onde o parto se realizara
9/Dezembro/1989
A cevada terá sido provavelmente o primeiro cereal cultivado pelo homem. A sua história remonta às origens da agricultura. Constituía o principal grão na fabricação do pão entre os gregos e os romanos e, na Babilónia, servia de moeda de troca.
Moral desta história: sendo a cevada alucinogénica e afrodisíaca...pode imaginar-se o que seria a história do homem (e da mulher) sem ela, sem o seu imperativo categórico.
Convinha imaginar, quanto antes, uma civilização onde só se comesse cevada e outra que completamente a tivesse banido...
Transcrevo algumas das questões formuladas num pequeno teste que elaborei para os alunos de Ecologia Humana, com quem tive o gosto de conviver durante alguns meses. ( +/ /)
TESTE - Comente, analise, desenvolva ou rectifique as seguintes afirmações:
Alimento-Intoxicação- Carências- Doença- Saúde: o que há de comum entre estes cinco conceitos?
Noção de terreno orgânico: acredita em vírus? E em micróbios?
O que nos acontece tem sempre uma causa em princípio explicável racionalmente - ou cai do céu por não ter unhas?
Somos o que consumimos, o que comemos, o que respiramos, o que dormimos, o que... e etc
A saúde é simples. A doença é extremamente complicada. E dispendiosa.
Mais vale prevenir do que remediar. Interprete o equilíbrio saúde-doença à luz deste ditado popular.
Tudo é ambiente, todas as doenças são doenças provocadas pelo Ambiente: esta afirmação é falsa ou verdadeira
Se as seguintes palavras lhe «dizem» alguma coisa, indique o quê: idiossincrasia - Iatrogénese - Vírus Lab
O diagnóstico clínico corrente talvez não seja intencional e deliberadamente omisso, insuficiente, unilateral, tendencioso. Mas é tudo isso por questão de método e princípio. Assinala a causa mais aparente, que nem sempre é a causa mais verdadeira e determinante. Atenta apenas nos aspectos superficiais da doença, nos seus sintomas. E só liga importância ao momento em que a crise se manifesta, jamais se interessa pela história anterior e antiga do doente. Talvez por isso, no quadro das terapêuticas oficiais, a psicanálise tenha ganho o ascendente que ganhou.
As informações conhecidas sobre os efeitos dos metais pesados no organismo humano, por exemplo, obrigam-nos a reflectir sobre o carácter insidioso destes poluentes, factores «ignorados» de doenças porque a «distância» entre eles e os sintomas do doente continua a não ser abrangida pelos aparelhos de diagnóstico que a medicina corrente tem ao seu alcance.
Pela amplitude de efeitos que provocam, os metais pesados, no entanto, têm que ser diagnosticados como causa principal de muitas doenças, ora «misteriosas», ora de causa «indefinida», ora atribuídas, pela medicina corrente, muito comodamente, à hereditariedade, que tem as costas largas, ou pura e simplesmente ao acaso, à «fatalidade», que tem as costas ainda mais largas.
Por toda a parte a ciência encontra doenças «misteriosas» de causas desconhecidas: como é possível, se o inventário de causas ambientais é já o que se sabe e só nos metais pesados assume as dimensões que se sabe, para não falar de todos os factores de poluição química - como é possível fechar os olhos a esta evidência e continuar debitando o mesmo discurso sintomatológico, medieval, bárbaro, teológico, anticientífico?
É humilhante para os cientistas dizerem-se adeptos de uma ciência que, quando não está a dizer que ignora a cura das doenças, está a entregar-se, lubricamente, nas mãos da algodoada fatalidade, espécie de para-choques das asneiras que vai inventariando <em nome da grande ciência e da mais sofisticada tecnologia, cultiva-se e cultua-se e «fatalidade» como uma teologia.
(*)Se há tese que defendo com unhas e dentes e para a qual reivindico algum ineditismo, é esta: o carácter medieval não só das epidemias modernas, mas também o carácter medievalesco e supersticioso da medicina moderna.☺